«Não me resigno a que quando eu morrer, o mundo continue como se eu não tivesse vivido.»
Pedro Arrupe

na india, no hospital, no brasil, no colégio, em casa, a partir, a chegar, com os Outros, os seus olhares, os seus abraços, o que é que tou aqui a fazer?
é impressionante a influência que temos nos outros.
especialmente se estes forem crianças.
o desafio está em nos lembrarmos diariamente da responsabilidade que temos.
lisboa em agosto é assim.
jantares de amigos, pré-férias, pós férias.
para festejar tudo e nada.
experimentar novas receitas; jogar velhos jogos.
perder um, ganhar outro.
o calor não deixa dormir, e o cansaço é menor.
porque a vida é curta e queremos aproveitá-la.
«Hoje vim visitar uma amiga ao hospital. Entrei no parque às 7h20. Às 7h30 tinha apanhado uma intoxicação de monoxido de carbono. Recuperei às 8h10. (...) Estou a escrever e exigo (...) imediata demissão do Conselho de Administração.»
Isto é o que por vezes tenho de fazer.
Explicar ao cliente X que é pouco provável apanhar uma intoxicação de monoxido de carbono às 7h20, quando o parque de estacionamento está sem carros. E que, aceito e respeito a sua reclamação, mas que o motivo da mesma talvez não seja suficiente para pedir a demissão do Conselho de Administração.
E ainda dizem que não me divirto...
Alguém toma um café?
O próximo passo são as minis. Eu sei, eu sei, que vida mais desinteressante. Sem café nem cervejas... ele há outras coisas, não se preocupem.
A não perder.
"Si j'avais eu la conscience suffisamment claire et les mots suffisamment nuancés pour l'exprimer, j'aurais aimé te dire que nous sommes là pour explorer, découvrir et partager ce qu'il y a de meilleur en nous. Chacun possède un trésor. Sois conscient et généreux de ton trésor et, en même temps, reste ouvert, attentif à recevoir le trésor des autres, disposé à apprendre et à te remettre en question. Cherche la beauté, la vérité, l'excellence en accueillant aussi ta fragilité, ta vulnérabilité et ton ombre, de sorte d'être à même d'accueillir celles des autres. Occupe joyeusement ta place: il y a de la place pour chacun, sinon ni toi ni moi ne serions là. Pense que ta place que tu n'occupes pas pour ne pas déranger reste vide à jamais et réjouis-toi que chacun occupe pleinement la sienne autour de toi ." Rabindranath Tagore (1861-1941)
A Hélène pôs este poema do Tagore no blog dela (não consegui encontrar a tradução para português) e disse que ao lê-lo se lembrou de mim. Fiquei sem palavras porque o texto é brutal. Vale a pena perder 3 minutos a tentar decifar o francês.
Nessa tarde ainda fui para Kalighat, o que foi optimo, porque embora tenha chegado mais tarde ( tuc-tuc partilhado com 8 pessoas!!, comboio, outro tuc-tuc e mais 15 min a pe), estavam poucas voluntarias e dediquei-me mais a Ratna e a Maravi. Embora o tempo em que ca estamos seja curto, preocupamo-nos e ligamos-nos mais a algumas doentes e no momento em que vos escrevo, a doente que estava muito mal em Kalighat, a Maravi (nao sei se confundi o nome dela com o da Maya ou da Manjuri) morreu naquela mesma madrugada em que vos escrevi. Foi realmente um privilegio poder estar perto dela nas ultimas semanas da sua vida, te-la adormecida nos meus bracos e ve-la partir de tanto sofrimento. Nao deixa no entanto de ser duro... E estes sao os que sao protegidos aqui neste imenso mundo de Calcuta.
Acabei a noite a beber Tchai com o Peter, voluntario frances, e com o Richard de cabelo branco(que dorme na nossa rua) e o Kalu (taxista que nos levaria a Cidade da Alegria). O Peter veio ca pela segunda vez e desta vez, passava as tardes a conversa com o Richard e o Kalu que sao duas pessoas verdadeiramente excepcionais.